Kervegan Hegel e o Hegelianismo

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  • Ttu1o original:Hegel et I'hglianisme@ resses Universitaires de France, 2005ISBN: 2-13-053405-8

    CoNspl-rio EnttontaLIvan Domingues (UFMG)Juvenal Savian GINIFESP)Marcelo Perine (PtiC-SP)Mario A. G. Porta (PUC-SP)Rogrio Miranda de Almeida (PUC-PR)

    Pnrpenno: Carlos A. BrbaroDrecnnueo: Fivia da Silva DutraRBvtso; Renato da Rocha

    Edies LoYolaRua 1822 n'347

    -

    IPiranga04216-000 So Paulo, SPCaixa Postal 42.335

    -

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    So Paulo' SP

    Gt tttl 6st4-re22(fl tttl 6r63-427sHorne page e vendas: www.loyoia'com'brEditorial: loYola@loYola.com.brVendas: vendas @ loYola.com.br

    Todos os direitos resen'ados' Nenhuma parte desta obrapod" ,", reprodwida ou transmitida por qualquer forma e/ou'quoirqr",

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    ISBN: 97,8-85- 15-03468-0

    @ EDIES LOYOLA, So Paulo, Brasil, 2008

    Para Bernard Bourgeors

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    pBrNcrpFrS TEXTOs E HBHEVTFOE5 ................1e5 F vida: aperitivoDe Hegel, tem-se vontade de dzer o que Heidegger escreveu deAriscteles: "Nasceu, filosofou, morretr". Seu desejo de quesua pessoa se apague ante sua obra e sobretudo diante daquiloque eie nomeia "a Coisa mesma". Hegel zornba daqueles paraqlrem "pensar por si mesmo" o "ltimo caminho te" (Notas,73'11; a exaltao do Eu lhe causa horror. Entretanto, no serdemasiado dizer algumas palavras sobre sua vida; no mais, oleitor se reportar s biografias disponveis. Ern francs, Lauie dc Hegel, de Rosenkranz (1844), foi enfim traduzda, e crsbiografias recentes so preciosas: H. Althaus, Hegel Naissanced'une philosophie; J. D'Hondt, Hegel; e sobretudo T. Pinkard,Hegel. Abiograpfu.

    Georg Wilhelm Friedrich Hegel nasce em 27 de outubrode L770 em Stuttgart, em uma famlia da pequena burguesialuterana

    -

    seu pai funcionrio pblico. Georg cursa o ensinomdio, no qual adquire uma slida cultura clssic4 lendo, tradu-

    PRBLO6O

    r91" Para as abreviaes ucilizadas, ver p. 125.

  • zndo e anorando os aurores gregos e lacinos. d,irecionad.o carreira eclesistica: um caminho seguro em wurcemberg, ond.eos pastores so formados e pagos pelo Estado. Assim, em lzg8Hegel admiddo no Sft de Tbingen, uma espcie d.e grand.eseminrio onde so formados os futuros pasrores. Recebe auma formao filosfica e reolgica convencional conrra aqual seus primeiros escriros reagem com vigor. assim quereflete, no "Fragmento de Tbingen,,, sobre t q,r" seria umareligio popular, que adaptasse ao dogma cristo as prticaslitrgicas das religies cvicas da Antiguid.ade. com seus cole-gas de classe schelling e Hlderlin, acompanha com paixo osacontecimenros na Frana

    -- dz a lenda que eles plantaramjuntos uma rvore da liberdade. o rerror esfriar o entusiarmodesses j.vens sem dvida girondinos: dentre as carras d.e Hegelque se conservaraln, a primeira censura "a ignornnia dos ro-bespierristas" (corresp., 1, 18). Mas, contrariamente a olrrros(dentre os quais schelling), no reverjamais sua adeso aosprincpios da Revoluo, que para ele se confundem com os ,l.amodernidade poltica e social.

    Ao fim de seus esrudos, Hegel se converce de no ter sid.ofeito para a carrera de pastor: ser portanto precepror. Chegaa Berna. Por quase trs anos ensina rudimentos s crianasda aristocrtica fanlia von steiger, da quar aproveita a'rcabiblioteca pae expendir sua cultura. Descobre a economiapoltica lendo e traduzindo o mercantilista escocs Jamessceuart; e tafvez que l a Nqueza. das naes d.e Adam smith,que cita e comeLta em seus manuscritos de Iena. L tambmHume, Gibbon, Montesquieu, Rousseau (seu ..heri,,, segundoum colega do Sft) e, claro, Kanc (o de A rekgio. maioi refe_rncia encre os escriros da juve'cude). Aproveita tambm overo para fazer uma viagem aos Alpes, mas, manifestamene,no parrilha da paixo romndca pelas sublimes paisagens damontanha! o que the inreressa so os homens, os farosiociais,

    10 I Hesel e a hegelianisms

    a histria, no as beLezas da natureza. Da estadia enr Bernadata um primeiro escriro publicado: a rraduo (annima) dasLettres confdenelles de um revolucionro da regio d,o vaud,J-J. Cart. Redige cambm um conjunto de fragmenros sobre a"positividade" da religio crist, bem como uma vid.a d.e Jesus,na qual este parece reiacar aos discpulos a crca da raz^o pr-tica; esses escritos no sero concludos nem publicados. Novero de I796,Hegel deixa a Sua e assume um novo posro deprecepror, dessa vez em Frankfurt; reenconrra Hlde;lin, quelhe arranjou esse emprego, e a permanece ar o fim de 1800.Sabemos pouce coisa sobre esse perodo. Ele mantm com umaamiga de infnciq Nanette Endel, uma correspondncia que notem nada em comum com as trridas carras de Hlderrin e suaDiocima, Suzette Gontard; freqenta assiduamenre Isaac vonsinclair, amigo e proreror de Holderlin. passa por um episdiodepressivo que, se no tem nada em comum com o cohplopsquico de Hlderlin, deixar marcas. No obstane, a estadiafrankfurriana fecunda no plano intelectual. verdade quenada publica alm da traduo comenrada d.o libero de cart,preparada em Berna; desisre de publicar urn panflero em romrepubiicano sobre a situao polrica de v/urcemberg. Almdisso, comea a redigir o que deveria ser um rivro sobre a sirua-o do Imprio, se o espriro do cempo (encarnad.o por aqueleque a seus olhos o prottipo do heri moderno, Bonaparre)no tivesse abreviado sua agonia; dar continuidade reaaodesse manuscriro, que abandonet no incio da escadia emIena. Descoberto um sculo mais carde

    , A constuio d.o imprioaletno texto marcado por um republicanismo de inspiraomaquiavlica. Mas o essencial do rrabalho de Heger gira sempreem torno de problemas f,losfico-religiosos. Menos kanriano queem Bernq invenca uma concetualzao original para pensaro que escapa linguagem comum. Se se volta ento conrra afilosofia, sua prpria filosofia que est assim send.o elaborada.

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    Lprloso i ll

  • Doravante) trata-se de uitrapassar a "separao" qiJe catacterrzaa vida dos povos modernos, ms assumindo-a e afroncando-a;. dialecamente qve necessrio chegar "coincidncia com otempo" (Frankfurt, 377).

    De 1801 ao comeo de 1807, Hegel Permenece em Iena,onde se enconcra com Schelling; graas antes de tudo a Fichte(afascado da ctedra em L799 em razo da querela do ates-mo), a cidadezinha ento o centro da vida intelectual alemijunramente com Weimar (de Goethe e Schiller). Nesse perodo,cujo fruto tardio aFenomenologia do Esprito, que se fixa suaoriencao filosfica definitiva, graas a Schelling, e depoiscontra ele. Hegel faz suas primeiras incurses no ensino uni-versicrio como Priuatdozent (docente universitrio remuneradoconforme a quantidade de estudantes inscritos; e eles no sonumerosos). Publica seus primeiros texcos: inicialmente, emIB}L, aDiferena dos sistemasflosf.cos dc Ficbte e de Schellingem que po*a-voz de seu amigo, mas j exibindo uma tonalidade quelhe prpria. A partir deJ.8O2, publica com Schellng o Jarnalcrtico da flosof.a, em que escreve alguns artigos importantes edificeis. Alm disso, redige cadernos para seus cursos, que soo incio de uma filosofia em elaborao. Esses escritos so tam-bm o laboratrio da grande obra que assinala Para o pbiicoseu nascimento como filsofo original (e ao mesmo cemPo suaruptura com Schelling): a "cincia da experincia da conscincia"que se transforma afinal na Fenornenologia do Esprito.

    Sofrendo pela precariedade de sua situao, Hegel buscauma posio mais estvel. Aps parntese de um ano e meio,quando exerce o jornalismo em Bamberg) encontra-a graas aFriedrich Niechammer, alto funcionrio bvaro que lhe consegueo posto de direcor e professor de filosofia no liceu protestante deNuremberg. Hegel aifrcacercade oito anos (1808-1816), duranteos quais redige pa.ralelamente docncia (da qaal a-PropeucafiIosfca o reflexo sucinto) seu segundo grande iivro, a Cincin'

    l2 I Heeel e o hegelianismo

    da.Lgica (18L2-I8L6). tambm em Nuremberg que se casa,em 1811, com Marie von Tucher, provenierrte da aristocracialocal, com quem tem dois filhos, Karl e Emmanuel.

    Hegel busca uma posio acadmica conforme sua notorie-dade. Aguarda uma ctedra na Universidade de Erlangen, mas finalmente a ce Heidelberg que o recruta; ele tem quarenta e seisanos. passa a dois anos, duranre os quais publica aEnciclopdia,das cincias flosfcas (18i7), compndio do sistema finalmenteexposto em. sua totalidade. Doravante, baseado nesse manual'(do qual duas outras edies so publicadas em 1827 e 1830)que ensina, desenvolvendo em aula tal ou qual segmento doconjunco. Publica tambm seu escrito poltico mais liberal, urnestudo dos ros dos Estados do reino dc'Wurtemberg ern 1815-181'6,em que analisa o confiito entre o novo rei, que deseja outorgauma Constituio ao seu Povo, e os Estados convocados Pararatificar esse projeto, os quais, em nome do "bom velho direito",na prtca o arrunam. Nessa oportunidade desenvolve umaconvico: no contexto da Europa ps-revolucionriE o mo-mento no o da Restauno daquilo que no tem mais lugarpara ser

    -

    acreditam nisso somente os reacionrios que "nadaesqueceram e nada aprenderam"

    -, mas o de uma poltica de

    reformas impulsionadas do alto e Postas em prtica Por umaburocracia competente e dedicada.ao bem pblico.

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